terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

I don't know why I'm scared,
I've been here before,
Every feeling, every word,
I've imagined it all.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Maybe when the room is empty,
maybe when the bottle's full,
maybe when the door gets broke down love can break in.
Maybe when I'm done with thinking
maybe you can think me whole
maybe when I'm done with endings this can begin.
This can begin
This can begin
Quero seus lábios marcando meus copos, seu cheiro impregnando os lençóis. Quero nossas pernas entrelaçadas, sol em nossos rostos, café em nossos pijamas. Quero seus hábitos me irritando, suas mordidas marcando minha pele, sua voz cantando no chuveiro. Quero sua respiração alterada em minha orelha fria, seus dedos dançando por meus braços, seu olhar diluindo o meu. Quero diluir-me a ti, quero que se dilua a mim. Quero nós. Quero agora.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A lata de café está vazia. A água da chaleira está fria. As louças estão espalhadas pelos cômodos. Roupas e cobertores diluem-se a tapetes e almofadas pelos corredores e quartos. Os espelhos estão embaçados, os lençóis estão manchados, as peças dos pijamas separaram-se de seus pares. Os armários estão bagunçados, os livros estão fora de ordem e os discos foram espalhados pelo chão.
O tabuleiro de xadrez está na pia, o gato aninha-se na mesa da cozinha e a torneira do banheiro continua a gotejar. A banheira transborda espuma, as portas batem sozinhas e as sirenes disparam pelas ruas. A televisão repete o mesmo comercial, o passarinho canta na sacada a mesma velha melodia, o cachorro arranha o sofá. E nada disso importa. E nada disso incomoda. Só consigo saber de ti, de suas mãos em minhas mãos, de sua boca em minha boca, de seus fios de cabelo entre meus dedos e sua pele sob meus lábios. Só consigo ver a ti, encolhida ao meu lado, entre o piano e a mesa de jantar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


Talvez fosse apenas as luzes de natal, o som calmo dos embrulhos sendo rasgados e amassados.  Talvez fosse o encanto dos brinquedos novos, das bonecas presas em caixas, das histórias esperando para serem criadas. Talvez fosse apenas minha pressa de criança encontrando com  sua calma de quem cresceu rápido demais.
Talvez fosse o aroma de biscoitos no forno, os encontros no fim de tarde, os vestidos pendurados no varal. Talvez fosse teu medo do escuro, teu cheiro de cloro e protetor solar. O fato é que, naquele verão, há seis anos, te dei meu coração jovem e intacto. Não como se eu o embrulhasse com laços de fita e o entregasse na noite de natal, mas sim como se você fosse o possuindo, pouco a pouco, a cada pequeno minuto dos dias que passei com você.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011


Setembro chegou leve, trazendo em suas mãos fechadas, esses pedaços de mim há tanto tempo perdidos. Trouxe também, em seus olhos calmos, a pressa de um quase-amor, de beijos roubados das paredes, fronhas, espelhos e mãos.
Setembro trouxe o querer seus cachos entre meus dedos, a vermelha tinta de seus lábios marcando minha nuca, suas unhas delicadamente arranhando minha pele, seus pés frios entre minhas pernas mornas, sua boca delineando meu rosto.
Setembro trouxe falta de ar, borboletas valsando calmas em meu estômago, seu rosto cochilando em frente ao meu, seus cílios longos e claros, seus vestidos floridos e seus sapatos pequenos.
Setembro trouxe quase tudo, só esqueceu de trazer você.

terça-feira, 6 de setembro de 2011


Meus dedos dançam sobre as letras semi-apagadas das teclas de minha máquina de escrever, parando, hora ou outra, para um trago, uma tragada, um disfarçado suspirar. Minhas mãos parecem convidar minha memória para uma valsa lenta e longa com todas as pontas soltas, laços malfeitos, palavras malditas, silêncios fora de hora. Minha pele, meus ossos, meus restos e rastros, imploram por essas migalhas de você, esses pedaços do que fomos, do que poderíamos ter sido.
Meus olhos correm, como se tivessem pés, braços e controle sobre si mesmos, pelas cortinas cerradas de sua sala de estar, procurando por sombras, por olhos nos cantos, por luzes acesas. Meus olhos parecem sentir mais sua falta do que eu sinto.
Minha cintura procura, como se tivesse olhos e vontade própria, por seus braços e mãos comprimindo-a contra ti. Minhas maças do rosto procuram, como se rastreasse cada rosto que encontra, por seus lábios, por seu hálito de cereja e noite sem dormir. Meus pés procuram por seus passos, por algum ritmo que possa seguir. Meus olhos sentem falta do azul calmo de seu olhar, e minha boca sente falta de sua pele áspera, de sua nuca úmida, de seus cabelos desgrenhados atrapalhando nossos beijos.