quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Taste your lips and feel your skin.
When the time comes, baby don't run, just kiss me slowly.

terça-feira, 18 de setembro de 2012



Seus braços pequenos e macios contornavam minha cintura, e sua boca, em seu vermelho calmo e doce, gentilmente trazia seu hálito até meu pescoço. Suas pernas entrelaçadas as minhas, escapando da coberta que preguiçosamente contornava as curvas suaves de seu corpo.
Dançava com a ponta morna de meus dedos por suas coxas frias, como se registrando em sua pele, as notas musicais daquela canção que só a gente ouve. Sentindo à meia-luz aquele calor sereno de olhos cuidando de você, aquele ritmo lento, ainda que transtornado, que os corações ganham quando encontram um par pra valsar.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012


Encontrava-me outra vez entre a densa névoa do pântano, tateando com cuidado os troncos úmidos das árvores. A água fria atingia meus joelhos, e a cada instante meus passos pareciam pesar mais. Senti, de repente, dedos macios agarrando meus tornozelos por debaixo d’água, e bruscamente fui puxada. Estiquei os braços em busca de algo que me segurasse, que me impedisse de afundar. Mas não havia nada, não havia ninguém. Minha boca e nariz enchiam-se de água, e minhas pernas inutilmente lutavam para voltar.
E então eu abri os olhos. Lá estava ela, encolhida ao meu lado na cama. Seus lábios entreabertos, sua respiração irregular, seus cabelos castanhos caindo sobre seus olhos, a pele macia e pálida de seu pescoço, sua mão direita, tão pequena com suas covinhas, gentilmente ao lado de seu rosto. Linda, com finos raios de sol dançando em suas bochechas.
E facilmente já não lembrava de ter algum dia afundando, de ter por algum momento estado perdida no pântano. Já não entendia de solidão, de lençóis que vestem um único perfume, de não ser encantada a cada despertar. Só sabia de estar ali, com seu braço direito sobre minha cintura, tendo em meu rosto estampado o sorriso mais doce.


domingo, 5 de agosto de 2012

Encontre-me na mesma velha mesa, daquele pequeno café no centro da cidade. Encontre-me entre folhas amassadas e amareladas, entre meus livros mofados e meus chás amargos, entre palavras que transbordam e borboletas que não permito que escapem de mim.
E então diga-me o que fazer, diga-me para onde fugir, diga-me quem sou pra ti. Conte-me sobre mim, sobre nós, sobre nossos nós e meus desenlaces.
Deixe-me esconder em você - de você - essas partes, essas falhas. Deixe-me perdida em sua pele, diluída em seu aroma. Deixe que eu me desencontre, mas por favor, me encontre no antigo café da cidade.

domingo, 15 de julho de 2012

Contorno, com a ponta fria dos dedos, cada pequeno detalhe, cada traço de seu rosto, tentando guardar cada textura, cada curva e cada temperatura. Desejando uma memória perfeita e detalhada de ti, para trazer comigo quando não mais quiseres lembrar de mim.
E de repente já não te encontro, já não sei mais por onde começar a te procurar. E de repente já não entendo, já não sei se algum dia fui para ti tudo aquilo que és para mim. E de repente já não sei o que é real e o que desejei que fosse. E de repente já não me notas, já não deixo espaços, parto sem fazer falta, sem dizer adeus. E de repente volto a ser solidão, a ser vazio, a ser medo, a ser "se" e não "é", a ser o que poderia ter sido, o que gostaria que fosse e se foi.